sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O natal não é um bom business?

Certamente enquanto posto esta mensagem, muitos de vocês devem estar se preparando para a ceia natalina.
Roupas novas, perfumes requintados, presentes ao redor da árvore e um belo chester no forno. E eu não quero jogar um balde de água fria nestes corações tão abrandados e cheios de esperanças.
Mas os sensatos deverão concordar comigo, As festas natalinas é uma grande jogada de Marketing. Nunca se compra tanto como nesta época do ano, os níveis de futilidade e consumismo atinge níveis assustadores. Palavras como amor, paz, fraternidade, solidariedade são ditas, mas o que se ler nos olhos das pessoas é uma vontade compulsiva de comprar. Nike, Adidas, D&G, Polo play, Chanel, Calvin Klein são as palavras do momento. O natal perde o sentido se não consigo comprar aquela camisa gola "V", a calça pink e o par de tênis de cadarços coloridos, "meu natal foi sem graça... não consegui ficar parecido à um 'filhote de Fábio jr'."
Podem achar que estou perseguindo os fãs do Restart, do Fresno ou qualquer outra dessas  "bandinhas coloridas", não... não estou, apenas fico indignado como as pessoas se deixam manipular tão facilmente por "modinhas fast " e se submetem sem luta à indústria ditatorial da moda.
Não sou do tipo utilitarista, acredito que roupas e acessórios refletem um pouco de nossa personalidade. Até mesmo quando se "passeia" por diversos stilos, isso reflete a nossa fluidez. Não sou contra roupas, roupas de grife. Não sou contra que as pessoas consumam. Sou contra o fato que palavras como amor sejam substituídas por nomes de marcas famosas, sou contra as pessoas fazerem do ato de comprar a coisa mais importante de suas vidas, sou contra as pessoas que acham roupas mais importante que o caráter, e finalmente, sou contra as pessoas que transformam vestimentas, meros acessórios, em suas próprias personalidades, ou seja, sou contra a "coisificação" do homem.
Para finalizar, partilho com vocês este emblemático poema de Carlos Drumond de Andrande:

 Eu etiqueta


Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que estar na moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Resumia uma estética.
Hoje, sou costurado,
Sou tecido,
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

Até a próxima postagem, Feliz Clichês Natalinos para todos!!!


Sobre Governos "transparentes" como as águas "límpidas" do Tietê.

Tornou-se uma modinha insuportável na política moderna (moderna?), tanto quanto a modinha de meninos sensíveis trajano calças apertadas e coloridas, falar-se em "gestão transparente", "participação popular", "governo do povo". Não é insuportável tocar nestas questões, insuportável é escutar esta ladainha, sabendo que o povo nunca chegou ao poder, que o povo não participa das decisões tomadas pelo Estado (ou participa pouco) e que "gestão transparente" mudou o conceito para "sites com informações que a população não saberá ler".

Temos um certa culpa nisto, nossa democracia é tão limitada e desprezível que chega a causar espanto. Nós nos relegamos a um papel tão medíocre, só nos enxergamos como cidadãos com toda as pompas e glórias no período eleitoral. E sim, nós nos acostumamos à uma cultura política um tanto parasita. Não queremos nos envolver com os assuntos públicos, porque as nossas "vidinhas" atribuladas já nos roubam tempo o suficiente. Não elegemos candidatos para administrar a máquina pública, elegemos candidatos para tomar conta de algo que não nos interessa. Eles, "homens justos e honestos", exercem esta tarefa com tanto sacríficio. (risos)
Nós que trocamos nossos votos por algumas bagatelas, ainda temos o direito de cobrar algo? O mais fascinante é a nossa cara de tupor e descrença quando o "casal 20" de um jornal das oito, noticia que os Estados nacionais tomam decisões sem o nosso conhecimento e consentimento... Ora meus caros, façam-me o favor!
Vemos o WikiLeaks em todas as manchetes e o Julian Assange se tornar o mais nova celebridade (quem sabe mártir) por divulgar o que fingimos não saber... que somos enganados (não contra a nossa vontade). Nada contra o Wikileaks e o seu fundador, não só acho a iniciativa nobre, como também a apoio incondicionalmente.
Neste sentido, deixo de lado todas as tentativas de falsamente parecer-me neutro e compartilho com vocês, toda minha admiração em relação ao ex-operário (hoje presidente da  república), Lula. É realmente louvável seu comentário em relação a repressão que o Julian Assange vêm sofrendo por divulgar aquilo que os governantes tão arduamente esconderam e escondem. Segundo o presidente Lula: "O culpado não é quem divulgou, o culpado é quem escreveu. Portanto, em vez de culpar quem divulgou, culpem quem escreveu a bobagem".
Portanto chega de Business, chega de fingirmos que não sabemos de nada e que fomos injustamente enganados, chega de bancarmos o cidadão responsável comprometidos com a nação, Chega de fingir... Chega!!! Afinal de contas, se as águas do Tietê não são transparentes, fomos nós mesmos que a sujamos.


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"Filosofia da Alcôva"

Acho o Arnaldo Jabor como comentarsita político, um ótimo cineasta. Seus comentários na "emissora prateada" não são menos ignorantes e irritantes quanto os de um certo "cronista-anta"  da revista Veja (se você ver o problema é seu), perseguidor compulsivo de um "operário-presidente". Jabor só faz ecoar um pouco mais alto a lamúria da elite conservadora deste país.
Mas ao se tratar de relacionamentos amorosos, devo dar minha mão à palmatória e admitir que este deve ter alguma experiência no assunto. A música "sexo e amor" interpretada pela genial Rita Lee e o livro "amor é prosa, sexo é poesia" ambos de autoria do Arnaldo Jabor, demonstram a sua excelência ao se enveredar pelos nossos "amores líquidos" (termo utilizado pelo sociólogo Zygmunt Bauman). 
Por este motivo, achei digno de nota a publicação desta mensagem do Jabor que recebi por email já se faz algumas semanas.

Se não quer se envolver, namore uma planta.

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:

- 'Ah, terminei o namoro... '
- 'Nossa, quanto tempo?'
- 'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou'
- É não deu...?

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.

Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?

E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.

Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.

Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...

Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Se joga... Se não bate... Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa ta com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.

Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.

Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

Gostar dói.

Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.

Enfim... Quem disse que ser adulto é fácil?"

Arnaldo Jabor






"Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível."




Dany Souza, Vulgo "mulher Samambaia"


terça-feira, 21 de dezembro de 2010























Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Assim caminha a humanidade

Sexo, dominação e violência... É, parece que Sade nos mostrou o espelho e nós não gostamos do que vimos.